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"Vim pelo caminho difícil, / a linha que nunca termina, / a linha bate na pedra, / a pedra quebra uma esquina, / mínima linha vazia, / a linha, uma vida inteira, / palavra, palavra minha." Paulo Leminski

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Manhãs


Ultrapasso os meus calmos passos
brincando com o sol.
Despetalo a rubra flor do arrebol.
espantando a neblina de cada manhã que raia.
Descortino sombras, sossego e regaço,
quando, todo dia,
em avessos lençóis de cambraia,
eu nasço.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Autotrofia


Quando, ao apagar da luz,
visto-me de madrugada,
quando, sombria e só,
minha alma medonha vaga
entre os meus becos soturnos,
ou por distantes plagas
como migalhas de luz,
fagulhas no fim da estrada.
Como migalhas de não,
como o que sobra de mim
quando não resta mais nada.