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"Vim pelo caminho difícil, / a linha que nunca termina, / a linha bate na pedra, / a pedra quebra uma esquina, / mínima linha vazia, / a linha, uma vida inteira, / palavra, palavra minha." Paulo Leminski

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Estilhaços


Parto-me em cacos,
Deixo-me ir em estilhaços
Estribilho
Que o meu ocaso rebusca
Luzindo pálidos versos
De amor,
Ingrato filho
Do que me resta
E ofusca.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Jogo ao cesto os sentidos

Cinco que falham

E um !nvert!do

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Soneto dos Ventos


Trilho destinos em ventos do norte
Solta às amarras do cais,
Presa às arestas da paz
Ao bel prazer, qualquer sorte

Soa-me o aroma da rosa
Nos ventos em versos, ou em vendavais
Mesmo ao ouvir o tom do tempo
No tamborilar da morte

Atento para que a vida
Sussurre suave, qual brisa
Em claves de sol em céu azul

Até que a rosa dos ventos
Em sons, ao cumprir o seu intento,
Me guie aos paradeiros do sul.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Faltas


Falta-me uma parte para virar metade
Me falta um querer para virar vontade

Falta-me a ampulheta, o tempo em mim hiberna
Me sobram muletas no quebrar das pernas

Falta-me uma gota para virar veneno
Me sobra ser pouco em frasco pequeno

Falta-me ser minguante, renovar, ser meia
Me faltam mais fases para poder ser cheia

Falta-me o sentido do que em mim é exato
Falta-me o que sonho, o que exponho,
Sobra o que expõe o meu anonimato.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Aos esquecidos


Lugar onde a luz se esconde
Não se vê fio de memória
Estão lá os esquecidos:
Na periferia da ideia,
Onde não trafega bonde,
Nos bastidores da história.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Passos


Como a efervescência da água
Na áspera areia
Pesco estrelas, perco sonhos
Em redes que teço.
Como encantada, em canto de sereia
Caminho apegada
A mareados passos
De alguém que passa
E ainda não conheço.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Desejo


Vagabundeio.
Não traio o que almejo
Lampejo claro e insano
Em sentimentos profanos
Vertentes de um só desejo.

Trapaça


Fazer poesia é milagre,
Alquimia
Transformar pedra em pão,
Alimentar almas
E deixá-las com sede

Fazer poesia é achar
O que fácil não se acha,
Encontrar, sugerir,
Dar sem receber,
Somar, dividir,
Abstrair.
É trapaça

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Jardins Marginais




Ave, eu
Me atrevo, vôo
Vou no murmúrio das asas
Com a visão de vãos caminhos
Minha amplitude desfaço
Destruo rosas, botões, casas
Rasante sobre os espinhos

Nas trajetórias que traço
Sobrevivo, sobrevôo
Por altitudes infindas
Passeios longitudinais
Em meio a cactos e orquídeas
Entre o suspenso e o rasteiro
Além, em meus jardins marginais.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Errante


Errada, errante
De paradeiro distante
Sempre ao chegar desatina

Nos meus olhos, a menina
A cada sorriso engana
Saudosa sina
Cigana

sábado, 17 de janeiro de 2009

Poesia de Quinta


Porque hoje é quinta
Acordo para dentro
Talvez não minta
Borboletas passarão
Ao meu jardim descuidado
Eu passarinho
Sem caminho
Mal sonhado

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Um dia


Quem sabe um dia
A minha alegria
Eu transgrida em versos
Como quem inova

Quem sabe um dia
À beira-mar da poesia
Galope meus versos
Em cavalos de trovas

Plural


Soa-me plural
Qualquer singular
Se minha alma transborda
E deságua em seu mar

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sonho


Dormi despida
Jogada a Morfeu
Na persistente ilusão
De que a qualquer instante
Seu corpo pudesse
Vestir o meu.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Disfarce




Me disfarço de mim
Do que sou me desfaço
No embaraço me dano,
Danifico meu engano,
Quase nunca me acho.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Divagando


No extenso trem
da minha solidão
vagueio, divago, devagar
de v a g ã o
em v a g ã o

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Espelho

O único que não mente
É o espelho
À minha frente